Correio da Manhã

11-Março de 2011 

 

Repensar a Reabilitação

O superavit de casas vazias vai quase dobrar: de um milhão passará para um milhão e novecentas mil.

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António Frias Marques

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A minha convicção profunda é de que eles serão capazes de dar um contributo decisivo para mudar o estado de coisas do nosso País.

Reunimos elementos acerca da reabilitação urbana e verificámos que se construiu de mais! Há um milhão de casas à venda e sem comprador à vista. Metade é nova, a estrear, e a outra metade encontra-se em estado razoável.

Reabilitando 900.000 casas, que se encontram ou vão ficar devolutas por processos expeditos já anunciados, fácil é fazer as contas e verificar que o superavit de casas vazias vai quase dobrar: de um milhão passará para um milhão e novecentas mil.

O mercado está saturado!

Numa recente operação promovida pela sociedade estatal de reabilitação urbana Porto Vivo, para alienação de 9 apartamentos e uma loja no quarteirão do Corpo da Guarda, na Baixa do Porto, não apareceu o primeiro interessado para essas unidades…cujo preço para um T1 era de 180.000 euros. Vai-se continuar a reabilitar para a prateleira?

Para que os proprietários conservem e mantenham os seus imóveis, convenhamos que uma renda de casa mensal à volta de 60 euros, em média (dados do INE), pouca coisa permite reabilitar e, com o recurso a fundos europeus, nomeadamente do Banco Europeu de Investimento, alguém vai ter de os pagar.

Muito dificilmente os proprietários locadores poderão deslocar verbas de outros rendimentos, que eventualmente tenham, para manter o statu quo residencial existente nos prédios a recuperar. No fundo, os grandes beneficiários com a reabilitação são os inquilinos que se mantêm nas habitações; é justo que os utilizadores comparticipem na recuperação do teto em que se abrigam.

A reabilitação, até por ser feita peça a peça, com respeito pela memória do local, e não em série, obviamente necessita mais mão-de-obra qualificada, preferencialmente nacional.

É pois um excelente veículo para a dignificação das artes e dos ofícios ligados à construção, permitindo o prazer de fazer bem e imprimindo confiança no futuro.

 
 
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