Porto

A CIDADE DAS SEIS PONTES E SETE TRAVESSIAS


Carlos Menezes

Emoldurada pela suas 6 maravilhosas pontes sobre o rio Douro, cada qual no seu estilo: duas em ferro, uma delas dispondo de dois tabuleiros –superior e inferior--, e as restantes em betão, a cidade do Porto constitui um dos mais belos conjuntos arquitetónicos do mundo.

Prova disso é a classificação de Património Mundial atribuída pela UNESCO ao seu centro histórico.

 

PONTE DAS BARCAS

A ponte das barcas foi construída no século XVIII, durante o reinado de D. João VI, ligeiramente a montante da rua de S. João e era constituída por vinte barcaças ligadas entre si através de vigamentos, havendo um dispositivo que permitia a abertura de um vão, a fim de dar passagem aos barcos que subiam e desciam o rio Douro. Foi destruída, não se sabe como, por ocasião da fuga da população portuense ao exército do invasor francês, comandado pelo marechal Soult. Nesta terrível catástrofe morreram milhares de pessoas.

 

PONTE PÊNSIL

Em fevereiro de 1843, durante o reinado de D. Maria II,  vinte metros a jusante da atual Ponte D. Luís, foi inaugurada a ponte pênsil, a que foi dado o nome da soberana e de que ainda existem, embora incompletos,  os pilares em pedra da amarração.

Foi autor do projeto o engenheiro Estanislau Bigot, que também dirigiu os trabalhos.

Esta ponte suspensa tinha o tabuleiro sensivelmente ao nível do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís e serviu durante 44 anos, sendo desativada em 1887, depois de a nova ponte ter entrado ao serviço.

 

PONTE D. MARIA PIA

Foi nesta bela obra de engenharia, a mais temerária de Gustave Eiffel, que pela primeira vez se substituíram os apoios intermédios por um grande e único arco que sustenta a viga mestra.

A mais famosa e formosa ponte metálica sobre o rio Douro foi inaugurada em 4 de novembro de 1877, com a presença do Rei D. Luís e da Rainha D. Maria Pia, que deu o nome à ponte.

Durante 114 anos, foi através desta ponte que o caminho de ferro atravessou o rio Douro ligando o Porto a Vila Nova de Gaia e consequentemente Lisboa ao Porto.

 

PONTE D. LUÍS

O gigantesco arcaboiço da ponte D. Luís, de dois tabuleiros, permitindo a travessia superior e inferior, assenta no morro granítico da Sé do Porto e na escarpa fronteira da Serra do Pilar, em Gaia.

O projeto da ponte é do eng. Teófilo Seyrig, discípulo e colaborador de Eiffel e os trabalhos foram dirigidos pelo eng. Artur Maury. O tabuleiro superior, por onde atualmente apenas circula o Metro, tem 392 metros de comprimento e o inferior 174 metros.

A inauguração aconteceu em 31 de outubro de 1886 e durante alguns anos, até 1920, esteve sujeita ao regime de portagem.

 

PONTE DA ARRÁBIDA

Admirável obra de arte, a ciclópica Ponte da Arrábida foi projetada pelo engenheiro Edgar Cardoso, o maior engenheiro de pontes português de todos os tempos, tendo-se notabilizado com obras arrojadas construídas pelo mundo fora.

Possui um arco com 270 metros de vão, o tabuleiro tem 500 metros de comprimento e 26,5 metros de largura.

Foi inaugurada em 22 de junho de 1963 sendo na altura a maior ponte do mundo em betão armado.

Dispõe de quatro elevadores para que os peões possam vencer a distância de 70 metros do rio ao tabuleiro, facilitando a travessia pedonal.

Pela Ponte da Arrábida passam em média 140.000 veículos por dia.

 

PONTE DE SÃO JOÃO

A travessia ferroviária sobre o rio Douro é feita através da Ponte de São João, ligando o Porto a Vila Nova de Gaia, tendo vindo  substituir a Ponte D. Maria Pia.

Construída em pórtico múltiplo contínuo tem um vão central de 250 metros, o que constitui um recorde mundial para este género de pontes, e 2 vãos laterais de 125 metros, formando 2 tes assim equilibrando as forças.

O comprimento total é de 1.140 metros.

Foi inaugurada em 24 de junho de 1991.

Quando se julgava que merecidamente, a esta ponte iria ser dado o nome da insigne figura do engenheiro Edgar Cardoso, autor desta e também da Ponte da Arrábida, além de outras das mais belas pontes portuguesas, foi-lhe atribuído o nome de São João, que não sendo o padroeiro da cidade do Porto, que como se sabe é Nossa Senhora de Vandoma, mantém em sua homenagem a data do feriado, não só municipal como em todo o distrito do Porto, assim recordando a data de nascimento de São João Baptista.

 

PONTE DO FREIXO

A Ponte do Freixo é das pontes rodoviárias que ligam o Porto a Vila Nova de Gaia, a que se encontra mais a montante do rio Douro.

Inaugurada em 1995, o projeto é da autoria do engenheiro António Reis e trata-se na realidade de 2 pontes construídas lado a lado e afastadas apenas 10 cms., permitindo 8 vias de trânsito: 4 em cada sentido.

A ponte tem 8 vãos e o tabuleiro, excluindo o inferior da Ponte D. Luís, tem as cotas mais baixas das outras pontes do Porto sobre o rio Douro.

Por dia, passam em média pela ponte 100.000 viaturas.

 

PONTE DO INFANTE

D. HENRIQUE

A esbelta Ponte do Infante D. Henrique, assim chamada em homenagem a esse infante da ínclita geração, nascido no Porto, veio criar na zona central e histórica da cidade, uma alternativa para o tráfego automóvel, depois de o tabuleiro superior da Ponte D. Luís ter ficado exclusivamente ao serviço do Metro do Porto.

O projeto é do engenheiro Adão da Fonseca e foi inaugurada em março de 2003.

 

O arco em betão tem 280 metros, a travessia 371 metros de comprimento e 20 metros de largura, permitindo 4 vias de trânsito: 2 para cada lado.

 

 

 

 

 
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